COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

REGIONAL MATO GROSSO DO SUL

Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo reúne atividades educativas e de prevenção no Mato Grosso do Sul

 

Destaque da programação, Seminário da Coetrae/MS sobre história e desafios do combate ao trabalho escravo acontece no dia 31 de janeiro, às 14h, em Campo Grande (MS)

Entre os dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro, em diferentes municípios do Mato Grosso do Sul, serão realizadas atividades que integram a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e, por sua vez, marcam o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro. Exibição de filmes, panfletagem com orientações para prevenção e Seminário sobre a história e os desafios para o combate ao trabalho escravo no estado fazem parte da lista de eventos que serão oferecidos ao público durante a semana.

As atividades serão realizadas nos municípios de Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas. A agenda educativa de atrações é uma iniciativa da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização vinculada à Igreja Católica que atua desde os anos 1970 em defesa dos direitos e territórios de populações camponesas, tradicionais e indígenas. No Mato Grosso do Sul a CPT soma forças no combate e na prevenção ao trabalho escravo desde a década de 1990, sendo uma das entidades da sociedade civil integrantes da Comissão para Erradicação do Trabalho Escravo no MS (Coetrae/MS) do governo estadual.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) sistematizados pela Campanha Nacional de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo da CPT, de 1995 até julho de 2024 foram identificados 3.233 trabalhadores em situação análoga à de escravos, sendo resgatadas 3.194 pessoas nessas condições nos 139 casos fiscalizados. Foram 47 municípios com registro de trabalho escravo no Mato Grosso do Sul neste período.

As ocorrências de trabalho escravo no Mato Grosso do Sul estão mais presentes nas cadeias produtivas da pecuária bovina, carvoarias e lavouras de grandes fazendas. É o que apontam os dados do MTE entre os anos de 1995 e 2023, que também registram o número de mais de 2 mil trabalhadores resgatados no segmento da cana de açúcar e mais de 300 no caso da pecuária. Os municípios com maior incidência de casos nesse período são Corumbá (com 16 casos), Porto Murtinho (com 14 casos) e Dourados (com 8 casos).

"O trabalho da CPT aqui no estado se encaixa na linha preventiva e educativa de trabalhadores camponeses e indígenas em regiões rurais do estado. Desenvolvemos atividades formativas como oficinas e eventos diversos para orientação de trabalhadores a respeito de seus direitos trabalhistas e de como podem prosseguir no caso da necessidade de uma denúncia ao Ministério do Trabalho e do Emprego ou ao próprio Ministério Público do Trabalho, que são os órgãos responsáveis por essas demandas", explica a CPT-MS.

Confira a programação completa da Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da CPT-MS:

 31 de janeiro

Seminário “Combate ao Trabalho Escravo no MS: Histórico, Desafios e Perspectivas”

Realização: Comissão para Erradicação do Trabalho Escravo no MS (Coetrae/MS)

Data e horário: 31/01, das 14h às 17h

Local: Auditório do Ministério Público do Trabalho (MPT)

Rua Dr. Paulo Machado, 120 - Santa Fé | Campo Grande, MS

Inscrições: https://bit.ly/SeminarioCOETRAEMS 

 Mesa 1: “30 anos de Grupo Móvel e Combate ao Trabalho Escravo no MS”

Mediação: Dra Cândice Arósio (MPT)

Participantes: Valdevino Santiago (Coordenador de projetos - CPT), Jonas Ratier Moreno (Procurador Regional do Trabalho), Antonio Parron (SRT - Auditor Fiscal do Trabalho),  Luiz Eduardo Camargo Camargo (Procurador do Trabalho)

Mesa 2: “Desafios atuais do combate ao Trabalho Escravo no MS”

Mediação: Dr. Alexandre Cantero (SRTE)

Participantes: Esaú Rodrigues de Aguiar Neto (Secretário Executivo de Qualificação Profissional e Trabalho), Natália Suzuki (Gerente na ONG Repórter Brasil), Paulo Douglas (MPT -  Procurador do Trabalho)

 01 de fevereiro

Oficina sobre Prevenção ao Trabalho Escravo e Cine-debate com exibição do filme Pureza

Data e horário: 01/02, manhã e tarde

Local: Assentamento Taquaral | Corumbá, MS

01 de fevereiro

Cine-debate com exibição do filme Pureza

Data e horário: 01/02, 19h

Local: Ocupação São João | Três Lagoas, MS

 02 de fevereiro

Panfletagem e orientações para prevenção ao trabalho escravo

Data horário: 02/02, 8h às 12h

Local: Feira Central | Corumbá, MS

 


Serviço:

Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no Mato Grosso do Sul

Data: entre 31/01 e 02/02

Local: Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas

Contato imprensa: Bruno Santiago - 11 99985 0378 (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Coletivo de mulheres da CPT-MS realiza Oficina sobre geração de renda e luta contra o machismo

 

por Rosângela Pedrosa*

O Coletivo de mulheres da Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso do Sul (CPT-MS) realizou, nos dias 21 e 22 de junho de 2024, a Oficina “Mulheres em luta contra o racismo e a fome organizando e semeando resistência”. A atividade foi realizada no Assentamento 17 de abril, em Nova Andradina (MS) e contou com apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).

O espaço formativo tratou dos impactos do patriarcado, do machismo e do racismo na vida das mulheres, contando com a assessoria da professora doutora Rejane Cândado e de Marlene Ricardi, mestra em estudos de gênero e militante do movimento feminista no MS. A formação contou com a participação de vinte e duas mulheres e um homem dos Assentamentos 17 de abril e São João, situados em Nova Andradina (MS).

O tema foi abordado de forma dinâmica, participativa e trouxe presente as formas de manifestação do patriarcado nas ações machistas da sociedade, que afeta de forma direta a vida das mulheres, se configurando como uma forma de organização social na qual a autoridade paterna é predominante.

O patriarcado e o machismo são sistêmicos e caracterizados por condutas e formas de pensar que podem ser transformados em nossa sociedade. A nossa maior luta não é contra o machismo, mas sim contra o patriarcado, pois nele estão as raízes do racismo e do machismo que estão relacionadas às formas de poder e dominação dos homens sobre as mulheres em nossas vidas cotidianas, na família, no trabalho, nos espaços de organização política, nas escolas, igrejas, etc.

Dessa forma o patriarcado se manifesta e afeta a vida das mulheres através das desigualdades nos espaços de representação e tomada de decisões, na violência contra as mulheres e no controle de seus corpos e sexualidade, na ausência de reconhecimento do trabalho doméstico e de cuidado, nas desigualdades sociais, profissionais e na família.

As mulheres participantes partilharam suas vivências familiares e as relações patriarcais em que estão inseridas em suas famílias e comunidades, despertando o interesse para que possam não somente perceber essas situações, mas reagir frente às opressões e violências contra a mulher.



Produção e geração de renda para as mulheres

Outro tema trabalhado na oficina foram os espaços coletivos de produção e geração de renda para as mulheres. É primordial que as mulheres tenham autonomia econômica através destes espaços que fortaleçam e empoderem as mulheres por meio da economia familiar, valorizando os produtos que a comunidade produz e promovendo a comercialização a nível local.

Cabe destacar que o projeto, por meio do apoio da CESE, beneficiou o grupo de mulheres com uma despolpadeira e um forno de bancada, visando qualificar a produção e potencializar a geração de renda nas comunidades.



Produtos produzidos pelo grupo de mulheres beneficiado pelo projeto

Ajudar as mulheres a vislumbrar formas de gerar renda é parte essencial para o empoderamento feminino. Entre as discussõs da Oficina surgiram muitas propostas para a melhoria das cozinhas que já existem em nível local, como a diversificação da produção, circuitos curtos de comercialização, feiras e venda direta ao consumidor, embalagens adequadas e valorização do que já existe como potencialidade local.


*Rosângela Pedrosa é integrante do Coletivo de Mulheres da CPT-MS

Comissão Pastoral da Terra lança relatório Conflitos no Campo 2023 na Assembleia Aty Guasu do povo Guarani e Kaiowá

Ato de lançamento acontece no dia 23 de maio, a partir das 8h, na Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS)

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Mato Grosso do Sul realiza o lançamento regional da publicação Conflitos no Campo 2023 no dia 23 de maio, a partir das 8h (horário de MS), durante a tradicional Assembleia Aty Guasu do povo Guarani e Kaiowá, que acontecerá este ano na Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS).

O relatório da CPT aponta que o Mato Grosso do Sul ocupa a 6ª colocação no ranking dos estados que registraram conflitos no campo em 2023, contabilizando 116 ocorrências que afetaram mais de 20 mil famílias.

Os povos indígenas do MS, segundo atesta o documento, são os que mais sofrem com estas violências, sendo impactados com mais de 50 ocorrências de conflitos por terra no estado no último ano. O ano de 2023 registrou ainda dois assassinatos, ambos ocorridos no território Guasuty, em Aral Moreira (MS): a rezadora Sebastiana Gauto, 92, e seu marido, Rufino Velasque, 55, do povo Guarani e Kaiowá.

Para Sergio Pereira, coordenador regional da CPT-MS, lançar o Relatório na Aty Guasu é um sinal concreto de apoio aos povos indígenas Guarani e Kaiowá, que estão no centro das violências que ocorrem no campo no Mato Grosso do Sul. “Há um claro embate entre o agronegócio e as comunidades indígenas que reivindicam seus territórios em nosso estado, e essas disputas culminam em mortes e violências que se agravam a cada ano que passa”, enfatiza o coordenador da Pastoral.

A programação do lançamento contará com mesas de debate e exposição de dados alarmantes e recentes sobre os conflitos no campo no Brasil e no Mato Grosso do Sul. Representantes do povo Guarani e Kaiowá, de comunidades quilombolas e camponesas irão compor o ato de lançamento juntamente com agentes da Comissão Pastoral da Terra, do Conselho Indigenista Missionário e da Campanha Nacional contra a Violência no Campo, que contribuirão com análises de conjuntura do cenário atual.

O evento de lançamento também contará com a presença de entidades e movimentos sociais que atuam na defesa dos direitos dos povos camponeses no MS como o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de autoridades políticas e parlamentares, como o mandato da deputada estadual Gleice Jane (PT).

A publicação Conflitos no Campo 2023 pode ser acessada gratuitamente clicando aqui.


Serviço:

Lançamento regional no MS - Relatório Conflitos no Campo 2023

Data e horário: 23/05/24, a partir das 8h (horário de MS)

Local: Assembleia Aty Guasu – Aldeia Jaguapiru, Dourados/MS

Mais informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Esperança e fraternidade para seguir em frente: CPT-MS realiza assembleia regional

 

Evento aconteceu nos dias 13 e 14 de abril, em Rio Brilhante (MS), e reuniu agentes, lideranças camponesas e indígenas do estado

 

No último final de semana, dias 13 e 14 de abril, a Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso do Sul realizou sua Assembleia Regional, contando com a participação de lideranças camponesas e indígenas, agentes, parceiros e colaboradores. O evento aconteceu na Escola Família Agrícola (EFAR) Rosalvo da Rocha Rodrigues, em Rio Brilhante (MS),

A Assembleia abriu suas atividades com uma mesa de análise de conjuntura sobre os desafios e demandas políticas dos povos do campo no Mato Grosso do Sul. Participaram da mesa Carlos Lima, coordenador nacional da CPT; Matias Rempel, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Gleice Jane, deputada estadual do MS pelo PT; Antônio Baiano, da CPT de Goiás, Atiliana Brunetto, assessora de Participação Social e Diversidade do Ministério das Mulheres do governo federal; Claudinei Barbosa Medeiros, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no MS; Humberto de Mello Pereira, secretário executivo de Agricultura Familiar, de Povos Originários e Comunidades Tradicionais do governo estadual; e Marcos Roberto Carvalho, diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer).

“Já estive em muitos espaços da CPT pelo nosso país e percebo o quanto somos diversos, mas também vejo que temos características e valores que nos fazem iguais, que nos unem, que nos fazem Pastoral”, destacou Carlos Lima, da coordenação nacional da CPT, que tratou das ameaças que a conjuntura política do país apresenta para os trabalhadores rurais que lutam pela reforma agrária.

Além do debate sobre a situação agrária no MS e no país, agentes e equipes da CPT apresentaram os projetos e ações da Pastoral que foram realizados no último triênio e que estão planejados para o próximo. Um dos destaques da apresentação foi a partilha dos resultados do projeto “Tembiu Porã”, que na língua Guarani significa “boa alimentação”, que beneficiou mais de 300 famílias camponesas e indígenas nos últimos três anos.

“O projeto colaborou com a implementação de sistemas agroflorestais (SAF), práticas de apicultura e roças que contribuíram para a garantia da soberania alimentar e geração de renda nos territórios, totalizando a produção de mais de 300 toneladas de alimentos no último triênio”, explica Valdevino Santiago, um dos coordenadores da CPT-MS na gestão que se encerra em abril de 2024.

Além das atividades com a produção camponesa e agricultura familiar, a CPT-MS também executou ações relacionadas ao combate aos agrotóxicos, suporte a famílias atingidas pela mineração, formação e articulação com mulheres camponesas, recuperação de nascentes, produção de materiais educativos, denúncias, documentação e suporte a conflitos agrários ocorridos no estado.

Cabe destacar a participação da nova equipe da CPT baseada em Corumbá (MS), no oeste do estado, com atuação em territórios rurais da região. Após a realização de um processo formativo com os agentes voluntários da localidade, em março de 2024 a equipe foi oficialmente apresentada ao Bispo da região, Dom Francisco, e integrada a Comissão Pastoral da Terra.

Eleição da nova coordenação e conselho regional

A Assembleia se encerrou com a eleição da nova coordenação da CPT-MS. Para o conselho regional foram eleitos Mieceslau Kudlavicz, Maria de Fátima Ferreira e Antônio Baroni Rocha. Para a coordenação regional a Assembleia elegeu Rosani Santiago, Sergio Pereira e Sirlete Lopes.

Rosani, que tomará posse na coordenação da CPT-MS a partir de maio, partilhou sobre a sua motivação para assumir a coordenação da Pastoral. “Vamos seguir com a nossa missão de enfrentar o agronegócio que destrói o pequeno agricultor, que avança sobre as terras indígenas. A nossa assembleia foi um momento de muita partilha, de animação e de reafirmarmos coletivamente o nosso compromisso com os povos da terra, das águas e das florestas”, destaca a coordenadora.

Conselho e coordenação regional eleitos em assembleia (Foto: CPT-MS)

 


Texto e fotos: CPT-MS